A economia do bem-estar é totalmente utilitarista e usa como base de avaliação do bem-estar das pessoas e guia para elaboração de políticas públicas somente a felicidade. Amartya Sen, por sua vez, se contrapõe a isso, pois a base informacional para os juízos sociais fica muito restritivo e além disso ele argumenta sobre as impossibilidades da felicidade como único critério de avaliação para juízos sociais. Vocês concordam com Armartya Sen? Comentem os argumentos que ele usa sobre essas impossibilidades.
Essa teoria do bem estar tem uma proposta interessante, mas uma execução falha. Primeiro porque o conceito de felicidade é subjetivo e varia de pessoa para pessoa. Segundo por que, como seria possível um mecanismo exterior capaz de valorar o grau de felicidade de alguém se cada ser humano é o melhor juiz de seu próprio bem estar?
ResponderExcluirO Japão é uma das economias mais fortes do globo, com alto IDH e ainda assim é o país com maior taxa de suicídio. Um estudo inglês realizado este ano mostrou que países em que as pessoas se sentem mais felizes tendem a apresentar índices mais altos de suicídio e, como nós humanos temos tendência a nos compararmos com os outros, ser infeliz num ambiente onde a maioria das pessoas se sente feliz faz aumentar a sensação de infelicidade (isso de acordo com o mesmo estudo). Entretanto, por exemplo, o estado de Nova York é um dos últimos no ranking de satisfação e felicidade, mas apresenta a menor taxa de suicídio dos Estados Unidos.
Logo, é perceptível que a economia do bem estar, apesar de possuir um método interessante, não consegue dar conta dos problemas que se propõe resolver e nem consegue fazer bom uso dos preceitos de justiça social.
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ResponderExcluirA felicidade pode ser mensurada? Que história é essa? Eu até acho que seria interessante estabelecer como principio de justiça a ideia de felicidade. Mas como se pode medir a felicidade? Em Nietszche o que existe é possibilidade de o homem ser forte ou fraco. A vida não é nem sempre boa, é o homem que a cria para si, dentro das disposições que lhe cabem. Sei também que muitos homens não chegam nem a ter a possibilidade de utilizar as suas forças, dadas a condições materialmente desfavoráveis. Em todo caso, cada homem escolhe, sartreanamente falando, o que fazer daquilo que fizeram dele, ou seja, a partir da realidade que lhe é imediatamente dada, o sujeito determina o curso de sua vida, criando então sua ideia de bem estar. A felicidade seria, portanto, consequência de uma determinação subjetiva, estabelecida por um sujeito ou grupo de pessoas - não podendo, neste sentido, ser mensurada a partir de uma referencia que não tome por base as características peculiares de cada caso. Se pareci individualista demais, corrijo, não é essa minha pretensão. Acredito que haja, em cada sujeito ou grupo, uma estrutura subjetiva que determina, mesmo que parcialmente, o curso de sua vida - a felicidade de alguém não pode ser analisada fora dessa estrutura.
ResponderExcluirA economia do bem-estar preocupa-se com o bem-estar dos indivíduos, em vez de grupos, comunidades ou sociedades, porque ela assume que o indivíduo é a unidade básica de medida. Também assume que os indivíduos são os melhores juízes do seu próprio bem-estar, que as pessoas preferem mais bem-estar do que menos bem-estar, e que o bem-estar pode ser mensurado adequadamente, seja em termos monetários ou como uma preferência relativa.O bem-estar de uma sociedade não pode ser confundido com o bem-estar de um único indivíduo.
ResponderExcluirALUNO: JOSÉ LUIS DE BARROS GUIMARÃES
ResponderExcluirEu partilho da crítica feita por Armartya Sen ao utilitarismo e a política do bem está, apesar de não concordar efetivamente com sua proposta filosófica para sair desse problema. Não vejo problema em estabelecer a felicidade como telos para o funcionamento de uma determinada sociedade, entrementes, acredito que não seja viável mensurar e comparar a felicidade dos homens. Não existe exatidão nos sentimentos e nas emoções humanas. Além disso, as pessoas podem pode achar que é "feliz" mesmo vivendo em condições adversas que evidenciem o contrário. Trabalhar com essa ideia seria desconsiderar, em partes, essa estrutura subjetiva humana. Diante do exposto, acredito que as críticas feitas ao utilitarismo são pertinentes.
Sim, concordo. Não se pode medir o bem-estar de uma dada comunidade a partir da felicidade de seus componentes, pois como disse o colega no comentário acima, a felicidade é subjetiva e, além disso, as vezes as pessoas tendem a demonstrar para a sociedade o que não são e o que não sentem, de fato, como uma forma de não se sentirem excluídos do meio social, assim, a "aparência" é um grande empecilho para ter um resultado positivo e verdadeiro nesses tipos de pesquisas. Essa visão estreita de bem-estar individual pode ser especialmente restritiva ao se fazer comparações interpessoais de privações.
ResponderExcluirConcordo sobre a impossibilidade de uma métrica da felicidade, sobre a impossibilidade da felicidade como métrica de juízos morais acredito que seja muito abstrato, a felicidade pode ser confundida com o anestesiar-se diante das dores, da privação. Como saber sobre a felicidade sem saber sobre sua verdade, será que quando eu falo dela eu sou sincero ou simplesmente mascaro minhas angústias e frustrações numa "felicidade". O sistema econômico não ajuda, ele não dá oportunidades para que os indivíduos de baixa renda possam sair de suas condições de privação de liberdade, os programas de auxílio são deficientes, pois o sistema é deficiente. A pobreza para Sen é essa privação das capacidades, pelo sistema econômico, do homem para se sair de condições adversas, isso também vem de outros fatores como a idade,localização, saúde, papel social. Para Sen é a democracia o instrumento principal para acabar com essas deficiências, exercendo atos visando a necessidade real da maioria dos indivíduos, onde cada indivíduo é responsável pelas injustiças e misérias da humanidade.
ResponderExcluirAluna: Maria Gomes Fernandes
ResponderExcluirConcordo em parte com a posição de Armartya Sen, pois realmente é difícil utilizar a felicidade como critério avaliativo de bem estar dos indivíduos de uma sociedade, uma vez que, como já foi bastante comentado acima, a felicidade é algo subjetivo e dessa maneira não tem como esta ser medida através de juízos sociais que avaliam apenas as condições sócio econômicas destes indivíduos. Outro ponto importante é sobre a crítica que o autor faz ao utilitarismo, pois a noção de felicidade não pode ser absolutizada utilizando como parâmetro os critérios utilitarista.
A felicidade, que é a base para avaliação da economia do bem-estar, foi colocada como guia exclusivo dessa economia e se apoia no utilitarismo – posto como teoria oficial - que tem por base apenas a felicidade ou satisfação dos desejos para o estabelecimento de avaliação social e de politicas públicas para a sociedade, o que é considerado injusto com aquelas populações que passam por privações persistentes porque elas têm capacidade de se adaptarem para suportar as necessidades desesperadoras ao mesmo tempo são carentes de coragem para almejarem uma mudança radical e se ajustam ao pouco que é conseguido, com isso, é percebido que há uma distorção na escala utilitarista que é medida pela felicidade ou satisfação do desejo. Parece haver uma necessidade muito menor do que ficaria evidente se se realizasse uma análise objetiva da intensidade da privação destas comunidades carentes e da sua falta de liberdade. A adaptação das expectativas e percepções desempenha um importante papel para perpetuarção das diferenças sociais. Por isso, se critica colocar a felicidade como o único critério de avaliação posição com a qual compartilho. Realmente, o clima de felicidade não é confiável, ele provoca apenas uma ilusão de felicidade e satisfação o que é ineficaz na hora de corrigir as injustiças sociais, a partir desta perspectivas as populações carentes, nunca vão conseguir ser alcançadas pelas politicas públicas aplicadas pelo estado para corrigir o desnivelamento entre os abastado e os que estão abaixo da linha de pobreza, esquecidos, e sofrendo todos os tipos de privações.
ResponderExcluirHá de se questionar também: o que é felicidade? Se é ter dinheiro, como a maioria das pessoas pensam. Essa a relação entre renda e felicidade é complexa. Há um paradoxo, nada garante que as pessoas mais ricas da população sejam felizes, o fato de elas terem mais renda não significa que sejam felizes. É necessário olhar para as capacidades totais, uma pessoa com doença grave e maior riqueza que seu vizinho sadio, está sujeita a restrições que seu vizinho não tem, a felicidade de alguém doente fica comprometida.